[T9 O FIM DAS CERTEZAS - ILYA PRIGOGINE ] CAPITULO 7: NOSSO DIÁLOGO COM A NATUREZA

 

“A ciência é um dialogo com a natureza”. Mas até nosso dialogo tem uma história. Este capítulo trata do conhecimento humano e sua evolução. Evolução esta que só pode ser explicada com um fluxo de tempo, direcionado do passado para o futuro.

                A filosofia vem desde os pré-socráticos. E é difícil citar autores que acrescentam muito além do proposto pelos primeiros filósofos. A ciência, por outro lado, vem com avanço exponencial em constante contraste com avanço tecnológico e social. O conhecimento humano é a nossa capacidade de entender e interagir com o mundo. Ele é formado por múltiplos componentes sociais, filosóficos e científicos, conceitos construídos e desconstruídos a cada momento da nossa existência. Assim, o conhecimento humano estaria, também, longe do equilíbrio, segundo Prigogine. Isso se deve o papel do fluxo do tempo neste fenômeno de aprendizagem e memória.

                O papel da física em entender a natureza sempre fui muito limitado, se a compararmos à química e biologia. E a física limitou-se a estudar sistemas isolados, dentro de grandes reatores ou sistemas planetários. Por isso, os grandes resultados da física vieram com a capacidade de desprezar certos termos em equações, o que possibilitava a sua resolução. Entretanto, com o tempo, as aproximações não serviam mais para os cientistas. Coube a  Poincaré propor e demonstrar a não integrabilidade de sistemas com mais de três corpos.  Como tomar conhecimento e entender sistemas reais, então, já que não se pode equacionar o movimento deste sistema utilizando a dinâmica clássica. O aspecto físico desta questão já foi abordado em outras trilhas, mas os resultados de Prigogine servem também pare entender as novidades no aspecto epistemológico.

                O autor fala entre o vínculo conhecedor e conhecido. Diz que não se deve acreditar que a relação de dominação. Funcionaria da seguinte maneira: o conhecedor limita (prende) o conhecido. Limita-o a certas possibilidades. Este, então, nunca povoaria certos estados possíveis, estaria restrito. Para o conhecedor, acreditar na realidade deste tipo de vinculo, com o conhecido, seria ingênuo.  “O que pode ser controlado não é totalmente real”. Neste caso o resultado seria um evento idealizado, em certos momentos, longe da realidade. Impor limitações ao objeto estudado não faria com que este se revele em toda sua possibilidade. Esta seria a física clássica.

                Quais são as características do universo? Ele é muito grande, porém limitado em espaço. Possuí inicio, segundo a teoria corrente do Big Bang, então tempo relativo (a este início). É heterogêneo e dinâmico. E distante do equilíbrio. A vida na terra não seria possível se o universo como todo fosse um sistema em equilíbrio químico. Obviamente existem regiões onde o equilíbrio químico é estabelecido, todavia, convivemos e somos o próprio exemplo de elementos num universo longe do equilíbrio. Não há evolução, química, biológica, tecnológica ou social no equilíbrio químico, que é o status quo. Finalmente, a física clássica, tão pouco a quântica, não serviria para explicar o universo e os sistemas que pertencem à natureza que conhecemos.